Correios buscam se adaptar à pandemia com o uso da Caixa de Correio Inteligente

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O presidente da Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos, Floriano Peixoto, desdobrou-se para enfrentar um obstáculo adicional ao desafio de reerguer as finanças da estatal: o súbito aumento da demanda do serviço de entregas em meio à pandemia, provocado pela expansão do comércio eletrônico. Há um ano no cargo, Peixoto traçou como prioridade resolver a baixa liquidez de caixa, reestruturar a empresa e desenvolver ações estruturantes de médio e longo prazo. Ele cita o pacote de novos negócios da empresa e adianta que o projeto de oferta de “lockers” – espécie de “armários inteligentes” para recebimento de encomendas – será testado em breve em Brasília e no Rio de Janeiro.

Peixoto diz que na prática essa mudança não altera os planos que traçou para sua gestão, porque está mantida a missão específica que o presidente Jair Bolsonaro lhe confiou: “recuperar a sustentabilidade financeira da empresa”. O balanço publicado na última quarta-feira no Diário Oficial mostra que o saldo do final do caixa da empresa em 2019 foi de R$ 537 milhões. Quando Peixoto assumiu o cargo, o número projetado era negativo, de R$ 9 milhões.

Peixoto reorganizou a estrutura da diretoria, reduzindo os níveis funcionais, e buscou otimizar o processo decisório, “dando mais atenção às 28 superintendências estaduais” – são duas superintendências em São Paulo: uma na capital e outra no interior.

Os Correios estão na mira do programa de desestatização do Ministério da Economia. Segundo Peixoto, os estudos mais complexos, patrocinados pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), começam no mês que vem com previsão de se estenderem até 2021. “A conclusão será o que a consultoria contratada indicar como melhor opção, mas a nossa missão é assegurar a sustentabilidade da empresa, o que auxiliará na definição do seu futuro”, disse o presidente.

Ele reconhece que o isolamento social levou as pessoas a se valerem mais do comércio eletrônico, tendência que pressionou o serviço de entregas da empresa em 25% a mais. No mesmo período do ano passado, relativo aos meses da pandemia (de março até agora), foram movimentados ao menos 25 milhões de encomendas.

A empresa teve de contratar mão-de-obra temporária, colocou linhas de transporte adicionais, revisou prazos de entrega de alguns serviços, autorizou a realização de horas extras e jornadas nos fins de semana para tentar evitar a queda na qualidade do atendimento. Peixoto admite que houve reclamações de atraso na entrega de produtos, mas pondera que a empresa está se empenhando em manter a qualidade no atendimento. “Estamos tendo gastos com recomposição de pessoal, mas o momento exige e a empresa está comprometida com tudo isso.”

Em relação a 2019, 40% da receita sobre a venda de serviços (R$ 7,6 bilhões) veio do segmento de mensagens, como cartas e faturas de bancos, enquanto 60% (R$ 11,5 bilhões) foram originários dos serviços concorrenciais, como entrega de encomendas, marketing e logística.

Mirando o médio e longo prazo, Peixoto tem uma ampla carteira de projetos em andamento, como a “entrega no mesmo dia” e a oferta de “lockers”, serviço comum no exterior. O piloto será testado em Brasília, no Conjunto Nacional, e no Rio, na Central do Brasil. Cada armário terá um CEP, e os usuários poderão receber encomendas e retirá-las com um código de barra.

Peixoto também tem projetos de expandir o transporte de mercadorias utilizando a malha naval e o modal ferroviário. Ele ressalta que os Correios vêm tendo a excelência dos serviços reconhecida mundialmente ao conquistar por dois anos consecutivos prêmios no The World Post & Parcel Awards, considerado o “Oscar dos Correios”. A empresa recebeu em relação a 2019 um Bônus Prime que entrará como receita neste ano e nos exercícios seguintes no valor de R$ 339 milhões. Peixoto ainda não se reuniu formalmente com o ministro Fábio Faria, mas compareceu à posse do novo ministro na última quarta-feira, e aguarda a primeira reunião para apresentar a fotografia da empresa e afinar o discurso comum sobre a estatal. Ele diz que Faria “chega para somar porque é uma pessoa afável, boa de se relacionar e traz sua enorme capacidade de articulação para o governo”.

Esta notícia foi retirada de: Econômico, Valor | Empresas

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